As Praças do Centro Novo de São Paulo: Histórias, Usos e Espaços.

O artigo a seguir é um trecho da Pesquisa Científica de autoria dos arquitetos Gabriela C. Kleber e Paulo H. Cuconati, elaborado em 2008 e apresentado no Simpósio do CONIC, realizado no mesmo ano. Para conferir a pesquisa na íntegra, clique nos links no final do artigo.

A Praça é um dos espaços públicos mais importantes na história de São Paulo, e isso é observado claramente no centro da cidade, que é um marco histórico, pois se trata da região onde foi fundada a hoje maior metrópole da América Latina, ou seja, é uma referência para a memória coletiva da cidade e do país, além de possuir qualidades especiais e singulares no âmbito metropolitano. Todo este progresso urbano também se deu através das praças públicas, podendo-se observar através delas cada momento político, econômico e arquitetônico pelo qual a capital paulista passou.

A Praça no Brasil desempenha um papel essencial nas relações sociais, desde os tempos da colônia. Na cidade colonial, surgiam os espaços livres públicos, os adros das igrejas. Era o espaço deixado á frente dos templos, onde a população se manifestava num espaço polivalente, palco dos costumes e hábitos da população. A praça é um elemento urbano e está diretamente ligada às questões sociais não sendo possível falar sobre praças sem analisar o contexto urbano no qual estão inseridas.

Na Europa, no final do século XVIII e começo do XIX, apareceram os primeiros espaços ajardinados destinados ao uso coletivo. No Brasil, na mesma época, foi construído o primeiro jardim público, o Passeio Público do Rio de Janeiro.

Nas nossas cidades, o termo praça é muito abrangente. Todo espaço verde público é denominado praça, até mesmo canteiros de uma avenida, espaços resultantes de um traçado viário, porém não poderiam ser chamados como tal já que não possuem um programa social com atividades e por não serem acessíveis à população já que estão localizados junto a grandes avenidas de intensa circulação de veículos. Já os espaços públicos secos, são chamados de largos ou pátios e não de praças como é na Europa, evidenciando a forte associação da praça com espaços ajardinados. Portanto, como objeto de estudo, podemos definir a praça como um espaço público aberto com um programa de atividades sociais e livres de veículos.

Os principais motivos para a praça ser vista como um padrão de qualidade podem ser os valores ambientais, como a melhoria na ventilação urbana, com a circulação de ar que facilita a dispersão dos poluentes melhorando os problemas da poluição atmosférica. Ou ainda a melhoria da insolação de áreas muito adensadas, a ajuda no controle da temperatura, já que a vegetação arbórea contribui com sombreamento e as superfícies vegetadas não absorvem nem irradiam tanto calor quanto os pisos de asfalto ou concreto e a melhoria na drenagem das águas pluviais com superfícies permeáveis, que absorvem parte das águas, evitando enchentes. Os motivos podem ter também valores funcionais, como o fato de serem importantes opções de lazer urbano, mesmo que tenham concorrência com outros espaços como shopping centers, parques temáticos, etc. Como também podem ser de valor estético e simbólico já que os espaços livres também são simbolicamente importantes, pois se tornam objetos referenciais e cênicos na paisagem da cidade, exercendo importante papel na identidade do bairro ou da rua. Os espaços verdes e ajardinados são progressivamente associados a oásis em meio à urbanização maciça.

Banner de Apresentação da Pesquisa <clique aqui>

Pesquisa Científica na íntegra <clique aqui>

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2 opiniões sobre “As Praças do Centro Novo de São Paulo: Histórias, Usos e Espaços.”

    1. Obrigado pelo elogio e por comentar aqui no Blog. Se reparou, a pesquisa completa pode ser acessada clicando nos textos em laranja no fim do trecho da mesma.
      Parabéns por seu texto, percebo que em BH a situação é semelhante à de São Paulo. O tema espaço público deveria ser discutido e tratado com mais carinho por nossos governantes, que deveriam se valer de opiniões de arquitetos, urbanistas e historiadores, profissionais capazes de estudar estes espaços e integrá-los novamente ao meio urbano e às necessidades da população.

      Continue nos visitando aqui no Blog e deixando comentários, que sempre serão bem vindos.

      Obrigado e um abraço,
      Arq. Paulo Cuconati

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